domingo, 11 de outubro de 2009

2016, quem estará por aqui?

O Rio de Janeiro continua lindo. E o samba em Copacabana, sob o céu mais azul que o azul, já sinaliza que a festa nem começou e os brasileiros já celebram a medalha de ouro. Em outros tempos, eu iria desapegar da minha alegria genuína em me sentir brasileira para botar os pés nos chãos e ver a vida como ela é.

Não temos políticas públicas que assegurem e estimulem todas as crianças a praticarem esportes. Não temos espaços e recursos necessários para cuidar de um super atleta, basta pensar em César Cielo. Não temos incentivo igualitário para todos os esportes, aqui é ainda o país do futebol. Não temos um tanto de coisas que com esses 25 bilhões poderíamos usar; e se eu pensar muito ficarei exaltada e frustrada em imaginar que todo esse dinheiro dava para melhorar o mundo.

Mas não dá para agonizar toda vez que acontece uma coisa boa por aqui e, junto dela, aparecem todas as contradições, conflitos e problemas de um país que é meu. Mas que tantas vezes me entristece. A grande preocupação é com todo o dinheiro que será desviado e nossos políticos irão usufruir. Como sempre, impunemente.

Aos 31 anos, vejo uma história de futuro que não chega e que também não passa. Saímos das aulas de História mas ainda não temos condições para escrever novos capítulos, como desejamos. Mas temos mudanças, temos conquistas e diferentes perspectivas, afinal de contas, quando poderíamos imaginar que o Rio sediaria os Jogos Olímpicos de 2016?

Mas como eu disse, são outros tempos e ao invés de pés nos chãos, tenho asas na alma. Portanto posso ir mais longe, acreditar mais e decolar vôo se a História parecer repetitiva. Mas eu espero que não, mais uma vez não!

Por Lara Stoque, jornalista, compositora e mais nova entusiasta do País do futuro, opa, do País de hoje.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A arte é fôlego para quem ama


Eu pensava que queria viver de escrever mas percebi que escrevo para viver. Para conseguir.

Se não fosse pela letras, palavras, pensamentos jogados em cadernos, em pequeninos pedaços de papel talvez não poderia ser.


Com o CD em fase de pré-produção, tenho passado o tempo ou melhor tenho vivido o meu tempo petiscando arte. E para quem achava que não se cabia nem aqui nem acolá, acho que pelo menos vi que não se caber é o que movimenta a criação.


Fico ainda abismada, apavorada e enlouquecida quando escuto minhas letras sendo cantadas. É como se fosse um registro instântaneo da minha vida. Do que penso e do que sinto. É como se eu não pudesse passar batido por aqui.


E uma notícia mais do que boa: mais um projeto aprovado pela Prefeitura e marquem na agenda dia 28/08 show na praça Clarimundo Carneiro, vou mantendo atualizado. Mas o roteiro do show está lindo de morrer, com poesia, vídeos e música da boa.


Outro dia eu escrevi algo e nem me dei conta do que dizia ou sentia, depois pensei, é isso mesmo:

" A arte é fôlego para quem ama"


Mudando de tema ou questionando sempre do mesmo....


Eu passo a maioria do tempo raivosa com a condição feminina, achando que está tudo muito plastificado e as mulheres ditas independentes só disfarçam a questão de sempre... que continuamos no gueto, que ainda não sabemos bem como dar conta.


Para me impressionar e me inspirar duas coisas:

entrevista da Fernanda Montenegro na Bravo desse mês, olha só uma rápida frase dela:

" Mergulhei com avidez na existência que ganhei de Deus, da natureza ou do acaso. Realizei uma profissão que considero importantíssima - subir no palco para converter meu corpo em instrumento de discussões".


Documentário sobre Carla Bruni no GNT:

Mulher excepcional, aquela beleza imensa não é nada perto do talento, da inteligência e da suavidade dessa mulher de 40 anos.


Assistam:Alguém Me Contou Sobre...Carla Bruni

14/05 - às 21h

29/05 - às 5 da manhã






terça-feira, 28 de abril de 2009

Vicky Cristina Barcelona


O filme já está nas locadoras... e por ser Woody Allen nem dá pra falar muito, porque é um guru pra mim.

é difícil arrombar a porta...

“A revolução cultural de fins do século XX pode assim ser mais bem entendida como o triunfo do indivíduo sobre a sociedade, ou melhor, o rompimento dos fios que antes ligavam os seres humanos em texturas sociais. Pois essas texturas consistiam não apenas nas relações de fato entre seres humanos e suas formas de organização, mas também nos modelos gerais dessas relações e os padrões esperados de comportamento das pessoas umas com as outras; seus papéis eram prescritos embora nem sempre escritos. Daí a insegurança muitas vezes traumática quando velhas convenções de comportamento eram derrubadas ou perdiam sua justificação; ou a incompreensão entre os que sentiam essa perda e aqueles que eram jovens demais para ter conhecido qualquer coisa além da sociedade anômica.”

Eric Hobsbawn - "Era dos extremos", p.328


Mas é bom depois poder reabri-la...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pequeninos maus tratos ou o livro do resguardo da alma

Fui notificada que já não servia mais. Com uma mensagem embaixo dos tapetes, avisos de que já não era bem-vinda.

Viraram-me o rosto e recortaram minha presença da lista de convidados.
Sou garota non grata, desnecessária e se não fosse muito: a também indesejada.
Do lugar de quem assobiava de tão adorada, virei a repugnante que não faz-se nem suportada.
Ando com uma fita marcada, daqui pra frente já não sou de nada.

Fiz fé que amigos jamais se desapegariam de sua mania de amar. Que laços seriam pra sempre atados porque não eram plásticos. Que entre o diálogo do fim e o espaço do recomeço, abrir-se-ia uma canção de sobrevivência. Que na partilha da dor, novos velhos estranhos desenhariam um rumo pra cada, mas caberia entre si o doce da saudade...

Mas o que ganhei são pequeninos maus tratos em saquinhos de seda, espalhados em chão de cimento. Ganhei também frases de chacota em que declaram risadas pela minha sensibilidade recatada. Ganhei também formosura aos avessos, um bocadinho de ódio pra rodar a minha saia.

Ganhei mas não fui eu quem perdi. Foram eles. São vocês. Porque daqui em diante não serei mais tão leal, tão pronta para ser afável e tão meiga durante a vidinha...

Serei ainda melhor.

O bom é ainda a pior afronta para o desassossego das pequenas almas. Escreverei milhares de cartas ainda mais coloridas de pensamentos inspirados em crença humana.

E existirei porque eu já não me importo mais, não com vocês.
Meu mundo já não combina com tantas histórias rasas, com amores de pouco quilates. Finalmente, minha alma foi resguardada, pra sempre.