O Rio de Janeiro continua lindo. E o samba em Copacabana, sob o céu mais azul que o azul, já sinaliza que a festa nem começou e os brasileiros já celebram a medalha de ouro. Em outros tempos, eu iria desapegar da minha alegria genuína em me sentir brasileira para botar os pés nos chãos e ver a vida como ela é.
Não temos políticas públicas que assegurem e estimulem todas as crianças a praticarem esportes. Não temos espaços e recursos necessários para cuidar de um super atleta, basta pensar em César Cielo. Não temos incentivo igualitário para todos os esportes, aqui é ainda o país do futebol. Não temos um tanto de coisas que com esses 25 bilhões poderíamos usar; e se eu pensar muito ficarei exaltada e frustrada em imaginar que todo esse dinheiro dava para melhorar o mundo.
Mas não dá para agonizar toda vez que acontece uma coisa boa por aqui e, junto dela, aparecem todas as contradições, conflitos e problemas de um país que é meu. Mas que tantas vezes me entristece. A grande preocupação é com todo o dinheiro que será desviado e nossos políticos irão usufruir. Como sempre, impunemente.
Aos 31 anos, vejo uma história de futuro que não chega e que também não passa. Saímos das aulas de História mas ainda não temos condições para escrever novos capítulos, como desejamos. Mas temos mudanças, temos conquistas e diferentes perspectivas, afinal de contas, quando poderíamos imaginar que o Rio sediaria os Jogos Olímpicos de 2016?
Mas como eu disse, são outros tempos e ao invés de pés nos chãos, tenho asas na alma. Portanto posso ir mais longe, acreditar mais e decolar vôo se a História parecer repetitiva. Mas eu espero que não, mais uma vez não!
Por Lara Stoque, jornalista, compositora e mais nova entusiasta do País do futuro, opa, do País de hoje.
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