segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pequeninos maus tratos ou o livro do resguardo da alma

Fui notificada que já não servia mais. Com uma mensagem embaixo dos tapetes, avisos de que já não era bem-vinda.

Viraram-me o rosto e recortaram minha presença da lista de convidados.
Sou garota non grata, desnecessária e se não fosse muito: a também indesejada.
Do lugar de quem assobiava de tão adorada, virei a repugnante que não faz-se nem suportada.
Ando com uma fita marcada, daqui pra frente já não sou de nada.

Fiz fé que amigos jamais se desapegariam de sua mania de amar. Que laços seriam pra sempre atados porque não eram plásticos. Que entre o diálogo do fim e o espaço do recomeço, abrir-se-ia uma canção de sobrevivência. Que na partilha da dor, novos velhos estranhos desenhariam um rumo pra cada, mas caberia entre si o doce da saudade...

Mas o que ganhei são pequeninos maus tratos em saquinhos de seda, espalhados em chão de cimento. Ganhei também frases de chacota em que declaram risadas pela minha sensibilidade recatada. Ganhei também formosura aos avessos, um bocadinho de ódio pra rodar a minha saia.

Ganhei mas não fui eu quem perdi. Foram eles. São vocês. Porque daqui em diante não serei mais tão leal, tão pronta para ser afável e tão meiga durante a vidinha...

Serei ainda melhor.

O bom é ainda a pior afronta para o desassossego das pequenas almas. Escreverei milhares de cartas ainda mais coloridas de pensamentos inspirados em crença humana.

E existirei porque eu já não me importo mais, não com vocês.
Meu mundo já não combina com tantas histórias rasas, com amores de pouco quilates. Finalmente, minha alma foi resguardada, pra sempre.

4 comentários:

  1. primeirão!!!!! que se iniciem os trabalhos... vá parindo aí e nós daqui vamos cuidado dos seus filhos no mundo e ficando prenhos também disso que é você aqui. Lindo como sempre.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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